segunda-feira, 18 de abril de 2016


Meus queridos pais, por Marta Peixoto.

É a primeira vez que lhes escrevo depois que vocês partiram porque senti necessidade de fazê-lo, de demonstrar, por escrito, verbalmente, todo o meu carinho o que antes nunca consegui fazer.
Vou contar-lhes o que me aconteceu e é algo que vejo, muito facilmente, sendo feito por muita gente; uma de minhas noras e filhas dizem, simplesmente, esta frase: eu te amo! Mas eu nunca consegui dizê-lo!
Agora, num curso de literatura de autoria feminina que entrei, por sugestão da Almudena, minha amiga espanhola, me deparei com um tema para fazer em casa : escrever uma carta.
Aceitei prontamente e como sempre gostei de escrever e receber cartas me sentei calmamente em casa e comecei a escrever, mas aí pensei: escrever para quem? Escrever o quê? Visto que todas as colegas ouviriam o que eu escrevesse  e como seria a crítica da professora e das colegas? .
E nada saiu. Umas palavras e nada mais. A timidez venceu naquele momento.
Fui à aula seguinte e confessei à professora que não tinha conseguido escrever embora tivesse escrito inúmeras cartas durante uma época de minha vida e tenha, em casa, cartas de pessoas conhecidas do mundo intelectual dirigidas a meu pai.
A professora sorriu e durante a aula foi algo tão emocionante ouvir as colegas lerem suas cartas com tanto carinho, tanto sentimento e nenhuma timidez. Eram sorrisos, palmas e olhares; todas eram lindas dirigidas para as mais diversas pessoas, a maioria para as de sua família talvez.
Então, enchi-me de coragem e estou eu a escrever-lhes o que gostaria de ter-lhes dito, em vida, não só demonstrado o que era evidente, sem dúvida, que sou muito grata a vocês por tudo o que me ensinaram,os valores culturais que me transmitiram ,os cursos que me pagaram e tudo o que me proporcionaram e a meus filhos depois.
Mas o que gostaria de deixar-lhes bem claro é que hoje tenho, na memória, algo doce e terno de momentos vividos com vocês naquelas cidades onde moramos e com o coração apertado de saudades lhes digo: “eu amo vocês”!Obrigada!

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